domingo, 29 de março de 2009

Noutro tempo falava em estalo, o estalo que já não me vinha entre os dedos rápidos, frios e trêmulos dos quais escorrem palavras anteriores as do pensamento. Essa relação fria, exclusivamente prolixa, me causa uma certa saudade: o fato de entrar aqui sem nem saber o porquê de estar entrando e terminar a postagem sabendo menos ainda, mesmo depois de ter discutido algo que com certeza é meio parte da matéria que em mim existe, que me cabe, de que sou feita.
Ah o simples fato de deixar acontecer... escrever é deixar fluir, que nem o amor por exemplo, são ápices contínuos de sentimentos que te invadem pouco a pouco e que tem necessidade de se externar, mas é claro que tem uma minúscula diferença entre eles, nunca podes te magoar escrevendo, nunca podes ser ferida enquanto palavra a palavra saem do teu corpo e talvez por isso seja muitas vezes um abrigo refugiado na alma daqueles fracos demais pra manter certas coisas presas consigo. Particularmente, escrever é como gritar muito alto sem precisar ensurdecer-se, parece que sai de todas as partes algo corroível meio a alguma estranheza, quando existente. Por isso agora ficam aqui esses rios como obra de um tom bem alto de saudade, de dúvida e de vão, do que é feito não importa, mas ficam como obra de um estalido de domingo em casa.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Antes possuísse a mesma importância hoje, que terá amanhã.

Antes possuísse a mesma importância hoje, que terá amanhã.
Wall E é o nono longa-metragem da Pixar dirigido por Andrew Stanton e o primeiro que explode a questão ambiental vizualizando o futuro.
Protagonizando, Wall E (Elevador de Detritos-Classe Terra), faz o trabalho que desestruturou outros como ele há 700 anos, seu trabalho de limpeza tornaria o planeta sustentável novamente à vida. Uma simples peça expositiva da fotossíntese seria o suficiente para trazer de volta a colonização humana à terra que permaneceu centenas de anos em uma nave, Axiom, pairando no espaço.
Esta é uma produção do cinema americano digna de ser vista, como poucos longas cristalizados pelo tempo. A visão de Stanton pôde nos fazer sentir a fraqueza óssea e o excesso de adiposidade em que o modo de produção global nos insere, o mundo dos excessos. Se descobríssemos uma planta ou mesmo Spot, a barata e estivessemos a quilômetros daqui, seria banal?
Infinitas entrelinhas estão marcadas nas emoções que Adam preferiu e conseguiu muito bem aglomerar em apenas dois olhos, diga-se de passagem, cativantes.
É como se cada um flutuasse em sua Axiom particular hoje, não precisa ser expressionismo alemão ou o clássico dos clássicos pra mostrar, se for digno pode ser voltado mesmo ao público infantil, porque infantis mesmo são aqueles que governam o mundo.
"E se a humanidade fosse embora e esquecesse de desligar o último robô?"
Ah! Para nós, verde e amarelos, deixamos uma marquinha na trilha sonora, logo no trailer com Aquarela do Brasil de ninguém menos que Ary Barroso, maravilha.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

sábado, 29 de novembro de 2008

TOCA RAUL!

Alguém aí sabe como é que se mede um burro?
Médici da cabeça ao rabo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Se não te tivesse num arrasta pé, dançando
Passaria pelos ladrilhos, esperando
Seguiria fraca a labuta, sonhando
Asa Norte e Asa Sul, azul, sambando,
Chega amor, pra eu te ver passar,
Pra te ver sonhar,
Te ver me esperar,
Chega bonita, pra dor não tardar,
Saudade levar, chega,
Pra me clarear.
Chega sorrindo, me apaixonar,
Zunir meu ouvido algo de amar,
Me trazer a paz dormindo, pra me acordar,
Chega amor, pro início do fim da noitada, assim de graça,
Enfim, afim..
Num verso pequeno, sereno assim, veneno em mim veio o sol levar,
Na linha do mar ver o dia terminar,
Pra nesse calor, nossa noite, começar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Canso, cansas.




Se pudesse definir o cansaço ele não seria ausência de força. Seria aquela sensação "pós pico-cerebral" que todo mundo apresenta pelo menos uma vez ao dia. Ah! O cansaço chega sem aviso prévio, cuidado! As vezes de mãos dadas com o estresse, namorando a preguiça, nunca se sabe. O cansaço às vezes te leva pra cama, no bom sentido da coisa, ou no mau porque o mau é o bom na cabeça das pessoas. Às vezes te leva pras brigas, pro grito, pro desespero, desacato e vem como uma justificativa ridícula. Não há como evitá-lo, mas há como refugiar-se. Uns se rendem, deixam ele levar pra onde quiser, sei lá se todo mundo se rende e a desistência é o que a gente chama de refúgio, quem sabe. A minha rendição ou refúgio é parar aqui, quase sempre. Cansar pode parecer perda de tempo pela necessidade do próprio tempo de descançar. Ah Cansar é bom, perder tempo? Melhor ainda!

sábado, 6 de setembro de 2008

"Se eu tivesse se eu tivesse muitos vícios, o meu nome o meu nome era Vinícius, se esses vícios fossem muito imorais eu seria o Vinícius de Moraes"