quinta-feira, 7 de maio de 2009
Réplica
Entrego-me no vão das leves letras de quinta a tarde, sentindo o calor entrar pela janela, sentindo a saudade arder em partes do corpo. Que mil acasos tragam os nós entre nós. Adoro sentir a presença curtinha de certas coisas na rotina, a vontade de escrever, de andar livre, sentir o sol na pele, vê-lo noutra pele, a presença de pequenas saudades depois de perder de vista e mesmo a presença do amor, que demorei, mas confessei ser amor.
terça-feira, 5 de maio de 2009
ganhas me perco.
Perco-me entre tardes, noites, fins de manhãs,
Ganhas-me entre beijos, cheiros, apertos, respirações,
Perco-me entre sons, tempos, redenções,
Ganhas-me entre chuvas, surpresas, confissões,
Perco-me entre tons, sorrisos, palavras tuas
Ganhas-me entre sonos, delírios, revelações nuas.
Perco-me entre o tempo, as luas, dimensões,
Ganhas-me no abrir e fluir de novas invenções,
Perco-me entre o calor, tua voz, o entardecer,
Ganhas-me no acaso de me enlouquecer.
Ganhas-me em teus braços, traços, teu amor e calma,
Enquanto perco-me aos poucos... louca, solta, sua, corpo, alma.
Se me perco, ganhas-me. Se me tens, encontro-me.
Ganhas-me entre beijos, cheiros, apertos, respirações,
Perco-me entre sons, tempos, redenções,
Ganhas-me entre chuvas, surpresas, confissões,
Perco-me entre tons, sorrisos, palavras tuas
Ganhas-me entre sonos, delírios, revelações nuas.
Perco-me entre o tempo, as luas, dimensões,
Ganhas-me no abrir e fluir de novas invenções,
Perco-me entre o calor, tua voz, o entardecer,
Ganhas-me no acaso de me enlouquecer.
Ganhas-me em teus braços, traços, teu amor e calma,
Enquanto perco-me aos poucos... louca, solta, sua, corpo, alma.
Se me perco, ganhas-me. Se me tens, encontro-me.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Dois olhos negros
A curiosidade de saber o que me prende? o que me paralisa? Serão dois olhos negros como os teus que me farão cruzar a divisa? ... É como se eu fosse pr'um Vietnã lutar por algo que não será meu. A curiosidade de saber..Quem é você? Dois olhos negros. Dois olhos negros. Queria ter coragem de te falar, mas qual seria o idioma? Congelado em meu próprio frio, um pobre coração em chamas...É como se eu fosse um colegial diante da equação, o quadro, o giz. A curiosidade do aprendiz diante de você... Dois olhos negros. Dois olhos negros. O ocultismo, o vampirismo, o voodoo. O ritual, a dança da chuva. A ponta do alfinete. O corpo nú. Os vários olhos da Medusa. É como se estivéssemos ali.. durante os séculos fazendo amor e é como se a vida terminasse ali no fim do corredor. Dois olhos negros.
domingo, 26 de abril de 2009
dei x ar
Deixa ser, nada de promessas, não quero lembranças que nos destruam pouco a pouco, deixa mais, vejo cada flor, cada amor e o que um faz. Deixa estar, que a vida vai passando e quem ganha é quem mostra e não quem diz. Deixa ver, que vamos esperando a parte de ser feliz, deixa. Deixa vir, que um dia aparece quem preenche o coração, que um dia a gente esquece e para de dizer não. Deixa crer, tudo começa em lugar pequeno e termina em lugar menor, deixa existir, pois enquanto existe ainda constrói algo maior. Deixa ser, deixa mais, deixa estar, deixa ver, deixa vir, deixa crer, deixa existir.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Safena
Sabe o que é um coração amar ao máximo de seu sangue? Bater até o auge de seu baticum? Não, você não sabe de jeito nenhum. Agora chega. Reforma no meu peito! Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas aproximem-se! Rolos, rolas, tinta, tijolo comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas Tempo, meu fiel carpinteiro, comece você primeiro passando verniz nos móveis e vamos tudo de novo do novo começo. Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora apertem os cintos. Adeus ao sinto muito do meu jeito. Peitos, ventres, pernas.. aticem as velas que lá vou de novo na solteirice exposta ao mar da mulatice, à honra das novas uniões. Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas.. protejam as beiras, lustrem as superfícies, aspirem os tapetes. Vai começar o banquete de amar de novo. Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões, façam todos suas inscrições. Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate. O homem que hoje me amar encontrará outro lá dentro. Pois que o mate.
(Elisa Lucinda)
Por favor, mestre de Horas Tempo, meu fiel carpinteiro, comece você primeiro passando verniz nos móveis e vamos tudo de novo do novo começo. Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora apertem os cintos. Adeus ao sinto muito do meu jeito. Peitos, ventres, pernas.. aticem as velas que lá vou de novo na solteirice exposta ao mar da mulatice, à honra das novas uniões. Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas.. protejam as beiras, lustrem as superfícies, aspirem os tapetes. Vai começar o banquete de amar de novo. Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões, façam todos suas inscrições. Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate. O homem que hoje me amar encontrará outro lá dentro. Pois que o mate.
(Elisa Lucinda)
quinta-feira, 23 de abril de 2009
não per missão,
Estranho perceber o quanto algumas coisas podem ser tão efêmeras enquanto que outras podem ser tão eternas, esse mix que o tempo prega as vezes confunde, entristece, alegra, acelera, apaixona. Admiro mesmo quem é capaz de doar-se com honestidade a vida, sem fazer farsas pequenas, mesmo que os imparcialmente doados sejam aqueles que mais sofrem e que mais estejam expostos à possíveis tapas, que só servem pra uma coisa diga-se de passagem, pra te acordar em relação as pessoas.
Mais estranho ainda perceber as diferenças entre as personalidades, tenho pessoas tão frias quanto um iceberg e tão quentes quanto uma chama misturadas aqui mesmo, na minha vida. Tenho pessoas que foram capazes de mostrar tudo o que são em cinco minutos, pessoas que mostraram metade de si em um ano e certamente milhões de outras que nada mostrariam mesmo que tivessem a eternidade, são esses milhões que me divertem. Tem paixões que acabam e deixam uma ponta de saudades e amores infinitos que findam sem nada deixar. O melhor de tudo é pensar que o tempo não volta, porque aí sim reconhecemos as pessoas que sabem corrigir-se em um futuro e as que só ouvem a própria voz. O bom de viver é saber que as coisas passam independente de passarem junto a ti ou não e que passam da forma que você as construiu. O bom de sentir é saber que, de alguma forma, estamos entregues a outros que conseguiram algo de nós mesmos, de quem somos, realmente. O bom de acabar é duvidoso, mas o bom do fim, propriamente dito, é saber que ele abre espaço para um novo começo do seu jeito, mesmo que fiquem saudades, amores antigos, mesmo que fiquem rosas ainda vivas no quarto, fotos, cartões perfumados, mesmo que fiquem rostos turvos e confusos na mente e mesmo que sentimentos se vão e fiquem vontades não descobertas.
Mais estranho ainda perceber as diferenças entre as personalidades, tenho pessoas tão frias quanto um iceberg e tão quentes quanto uma chama misturadas aqui mesmo, na minha vida. Tenho pessoas que foram capazes de mostrar tudo o que são em cinco minutos, pessoas que mostraram metade de si em um ano e certamente milhões de outras que nada mostrariam mesmo que tivessem a eternidade, são esses milhões que me divertem. Tem paixões que acabam e deixam uma ponta de saudades e amores infinitos que findam sem nada deixar. O melhor de tudo é pensar que o tempo não volta, porque aí sim reconhecemos as pessoas que sabem corrigir-se em um futuro e as que só ouvem a própria voz. O bom de viver é saber que as coisas passam independente de passarem junto a ti ou não e que passam da forma que você as construiu. O bom de sentir é saber que, de alguma forma, estamos entregues a outros que conseguiram algo de nós mesmos, de quem somos, realmente. O bom de acabar é duvidoso, mas o bom do fim, propriamente dito, é saber que ele abre espaço para um novo começo do seu jeito, mesmo que fiquem saudades, amores antigos, mesmo que fiquem rosas ainda vivas no quarto, fotos, cartões perfumados, mesmo que fiquem rostos turvos e confusos na mente e mesmo que sentimentos se vão e fiquem vontades não descobertas.
domingo, 19 de abril de 2009
querer mar
Pois quero ser algo de não saber
Já ei de amar algo de não querer
Se um querer em um não amar
Aparecer, num transcender será
Algo de muito amar
E muito querer.
Já ei de amar algo de não querer
Se um querer em um não amar
Aparecer, num transcender será
Algo de muito amar
E muito querer.
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