quinta-feira, 3 de março de 2011
Réplica
Janaína,
Daqui a pouco são quatro dos dez meses e vou te confessar: eu nunca imaginei sentir tanta saudade. Nem quis que fosse 'abandono' a palavra. Já me importei tanto, sofri tanto por todas as vezes que pensei em abandono enquanto tu eras a exata medida da mulher que eu queria que fosses. Já sofri outro tanto enquanto vi, soube e te senti sendo a exata medida do que me machucava. Qual ficou? Voei amando e buscando acreditar o suficiente pra te por no colo todos os dias a noite. Pra te fazer massagem antes de dormir. Eu nunca mais fui o mesmo, Nana, eu nunca mais fui. Finquei os dois pés nisso e te confesso, me dói porque ainda sinto e penso cada pecinha de confiança que tu deslocaste. E sou teu ainda assim.
Fiquei pensando ontem no que eu ia fazer com aquele fim de tarde, tu não estavas e de repende pensei: ora se não estou caminhando pros fins de tarde ininterruptos e que... em todos eles tu não estarias. Pensei em voltar pra cidade, porque eu não estava morto, foste tu quem me mataste por um segundo, mulher. E aí eu ia te surpreender. Pensei na mulher que tu não foste quando tivemos nosso tempo. Depois pensei na mulher esplêndida que tu foste quando não tinhamos tempo mais. Estivemos ali um para o outro, meu anjo, da maneira que pudemos. E nem com tantas lagriminhas eu quis realmente te matar dentro de mim. Eu pensei, mas não quis. E das vezes que eu quase fiz... que bom que fechaste com a tua mão, a minha boca. Quis estar ali pra ver até onde tu serias capaz de chegar e porque estar contigo era o que valia. Chegaste completa, muitas vezes. Chegaste deserta, outras mais. Eu decidi que te amava e que o lugar desse amor era só teu. Decidi que merecias esse lugar e que precisavas dele pra ser a mulher que tu és de verdade. Que é honesta. E que é minha.
Me diz o que fazer com essa liberdade, pois não a quero enquanto ela for tua guarda,
Fábio.
Me diz o que fazer com essa liberdade, pois não a quero enquanto ela for tua guarda,
Fábio.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 19 de fevereiro de 2011
"Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu.
Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi.
Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos.
Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.
Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana.
Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos.
Pelo amor derramado.
Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido.
Pelo respeito empoeirado em cima da estante.
Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa.
Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados.
Pela culpa.
Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou."
(Caio Fernando Abreu)
Com a diferença que dessa vez não chorei mais. Chorei tudo naquele dia e fiquei a espera. Não, não de sentir raiva, estazinha passou longe. A espera de não chorar mais, de sentar na cama, abrir um livro e acender um incenso. A espera da hora de franzir o cenho mais uma vez e de durar cada vez menos. Você ganhou, me matou no cansaço. Ganhou em tempo recorde. E mesmo assim, depois de jogar a toalha, arumei sua escova ao lado da minha porque quando eu era criança e dormia com meus pais eu tinha uma espécie de supertição. Sempre colocava as escovas deles uma ao lado da outra e a minha bem atrás. A única vez em que eles chegaram perto de se separar eu cheguei a pensar: Culpa minha! Esqueci as escovas. No dia seguinte voltei ao banheiro, a minha já não estava, mas arrumei as escovas deles bem perto uma da outra. E todas as vezes que eu arrumava assim, os dias eram bons. Todas as vezes.
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Eu poderia dar mil e uma explicações sobre "ser" um ser humano, mas vou me limitar a duas: (1) saber a hora de postergar um sentimento em detrimento de um sentimento do outro e (2) ter certeza que existem três situações na vida: aquelas que você fica sabendo que ocorreram, aquelas que você vê ocorrendo e aquelas que você não vê, não fica sabendo, mas que, ainda assim, você sabe que ocorrem.
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