sábado, 28 de junho de 2008

eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas.

Pela legalização do aborto com restrições de idade da criança e condições sociais de vida, como alternativa à diminuição da violência nas cidades informais e com prévia pesquisa de renda familiar. Pela legalização do aborto principalmente pela abolição da prática clandestina e das más execuções desta. O que a população tem que tirar da cabeça é que a legalização do aborto não vai fazer do seu uso rotina, por favor, abortar não é tão prazeroso quanto comprar um saco de bombom na rua e não é porque não é legalizado oficialmente em todos os casos que as mulheres deixam de abortar, querendo ou não é uma escolha que se faz direito surtindo um efeito de plena responsabilidade subjetiva.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Leitor de Edward Gibbon,

Inaceitável que se obscurem palavras referentes a personalidade presente, que se deixe de falar do modo que viveu e das coisas pelas quais se interessou. O que penso a respeito de Winston Churchill é o que todos vêem, um homem que se esculpiu estadista britânico, jornalista, escritor, orador, historiador e ouso dizer que seria um estrategista invejável. Ele enxergava além do que lhe era exposto e quando o decifro noto que a falta desse tipo de politicagem é capaz de afetar qualquer país. Hoje em dia o indivíduo se limita perante os conhecimentos e se aprofunda numa determinada área, no fim das contas pra ser digno é necessário saber um pouco de tudo. Faltam pessoas mais interessantes na realidade. Churchill se dedicou a política contribuindo com sacadas espetaculares, tanto bélicas quanto econômicas. No período entre guerras imprimiu uma crítica severa ao nazismo prevendo um ataque alemão à Inglaterra, dito e feito Winston Churchill para primeiro ministro após a invasão de Hittler à Polônia e consequente guerra declarada à Inglaterra, haja vista o acordo de proteção mútua. Os Estados Unidos na Segunda Guerra como tentativa de frenagem a Hittler foi idéia de quem? E mesmo com essas suposições e confirmações brilhantes teve uma das eleições marcadas pela derrota, por esse motivo existem países que crescem e outros que curtem uma crescente estagnação, revoltante. O que falta pra que um político qualquer hoje em dia decida se interessar pelo recebimento do prêmio Nobel de Literatura como o que W. Churchill ganhou pelas Memórias de Guerra? O que falta para que se esbocem palavras de paz em discursos fumegantes aclamados pelos cidadãos? O que falta para que um indivíduo se torne o cidadão propriamente dito? Espero que Churchill tenha aproveitado os seus cem anos de pintura no céu, como ele mesmo disse e espero que ainda haja alguma juventude interessante por aí.

me limpa pra eu respirar

Sentir o chão, sentir o ar, cair no vão, lembrar. Dançar suspira pra eu respirar. Findar então a sensação da dor do caos de lagrimar, saudar, salvar, esperar. Dançar me vira pra eu respirar. Ouvir o som, movimentar, crescer, saber, tocar. Dançar mentira pra eu respirar. Levar o dom, cambalear, ruir, fugir, levantar. Que dançar me fira pra eu respirar. Mudar o tom, tripudear, errar, consertar. Dançar levita pra eu respirar. Interiorizar, exteriorizar, dormir, debruçar. Dançar me limpa pra eu respirar. Abrir o céu, a luz, ladrilhar. Dançar o ínfimo pra eu respirar. Codificar, impactar, calar, inspirar. Dançar a dor pra eu respirar. Fortalecer, balançar, equilibrar. Dançar a cor pra eu respirar. Emudecer, expandir, gritar, acabar, beber, começar, comer, sorrir, fincar, doer, faltar. Dançar o amor pra eu respirar.

Fagia: a mídia veicula,




coma, beba, use, vista, fume, fale, ouça, viva, ouse, ponha, calce, esqueça, leve, traga, lembre, cresça, dance, sinta, diga, tome, aqui se vê, aqui se come. O que se come, como come. O homem incorpora o que lhe é exposto, aceita, conforma-se. Tudo que é oferecido de bandeja deve ser comido, de bandeja nas telas, na rua. O homem engole crú o que a mídia veicula. Salve o primeiro mundo, o capitalismo exacerbado e a emergência econômica.

domingo, 4 de maio de 2008

par




quando longe sinto significado de amor par, amor à dois. Sinto um corpo só, o meu, um pensamento só, você, um vão só, saudade. Tento prender entre os dedos tuas palavras, tento esquecer, enquanto dormes, as tuas ultimas palavras e tento dizer..mais nada.

estra bismo, n ão afo rismo



"Paranóia ou mistificação? Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem as coisas normalmente e em consequência disso fazem uma arte pura, guardando os eternos ritmos da vida , e adotando para a concretização das emoções estéticas os processos clássicos dos grandes mestres. (...) A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza e interpretam-na na luz das teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. (...) Embora eles se dêem como novos precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muito já que estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica sendo mistificação pura."
(Monteiro Lobato).
Eu nunca quis discordar tanto de Monteiro Lobato quanto agora. A arte passou a ter mais sentido aos 'americanos malucos' porque expôs aquilo que viam, o 'estrabismo' citado permitiu uma expansão contínua dos estilos que trouxe justamente o modernismo no seu real sentido. Fosse na literatura, música ou nas artes plásticas, uma hora ou outra a arte se adequaria ao mundo (como fez) e colocaria na mesa as críticas sociais e as distorções criadas pelo homem. Anita Malfatti, nasceu em São Paulo, filha de pai italiano e engenheiro, mãe norte-americana e pintora, mais ou menos em 1910 (não tenho muita certeza do ano) foi pra Berlim estudar na Academia Real e voltou ao Brasil, quando realizou sua primeira exposição, após este tempo foi para Nova York, mediante o contato com outras culturas, Anita herda influências expressionistas e cubistas (são essas as principais características da sua obra), o que a diferencia dos demais artistas brasileiros da época, induzindo a crítica de Lobato. O Brasil não estava acostumado com um ataque exposto da elite para a elite, mostrando que agora tinham coisas mais importantes a serem discutidas do que a fiel descrição de um vaso ou ainda a constante busca pela evazão no tempo, ainda tinham muitas ofensas e cabeças à rolar como na Semana de 1922, 'semana de três noites' que marcou a literatura brasileira moderna.

sábado, 3 de maio de 2008

ímp ar,

foi só olhar de novo dentro dos teus olhos naquele início de tarde quente, te ver sorrir e tentar não transparecer sentimento. É assim, assim que a gente entende que certas formas de amar não são pra serem guardadas ou escondidas, é assim que vemos que saudade serve não só pra sentir noites vazias e silenciosas, mas para trazer pra perto o motivo dela própria, pra que ela possa ir, não por inteiro, mas que possa expulsar sua parte cortante, pra que aquele amor latente em nós possa também expulsar-se em alguém e ali permanecer pra sempre mesmo que passe o tempo, o vento, os sons, os dias, as tardes, a chuva, a noite, mesmo que passem as pessoas, que passem rios, mesmo que tudo passe. Pro amor não tem remédio nem hora marcada, não tem dois corpos, dois copos, duas vidas, duas vias, não tem lugar, ar, não tem quase amar, nem quase querer, nem tem não saber. Foi só te ver de longe pra me deixar sem graça e a tarde toda sem pensar em outra coisa que não fosse aquele beijo de dois anos atrás, ou naquela saudade que de jeito algum me largava. Pensei nas músicas, pensei no teu cabelo, na tua voz, no teu cheiro, pensei no esquecimento, no quase esquecimento, e lembrei: 'amor não tem quase'. Quis mudar as coisas de lugar, quis trocar a rotina, quis parar, só num instante que fosse nosso. Quis e vou, vou parar o próximo instante que te tocar, pra que o mundo não exista também do lado de fora de mim, pra que me perca nesse ciclone e sinta tudo continuar girando e pra que dentro de mim tudo continue sorrindo. Pra que seja então sacramentado ímpar e teu o meu amor.