Esse é meu melhor horário, aquele em que sinto uma fominha resultante de umas mordidas longínquas do jantar que pouco me recordo, mas na verdade é o melhor horário pra dizer que as minhas costas já doem de tanto cambrè na aula de ballet e de tanto ficar sentada escrevendo e queimando os neurônios à respeito do Capitalismo, de Marx, das partes que com Hegel concordava e... nada disso importa, me perdi.
Tava pensando movida a muita cafeína e chocolate com menta que tudo o que queria agora (sim, agora, 2:11) era uma sala de ballet, onde, depois desses textos escaldantes, pudesse por uma suite de Bach e dançar até acabar a música, mesmo com as costas doloridas e os pés cansados. Eu estava pensando em quantos advogados bem sucedidos de 45 anos existem, quantos músicos compuseram suas melhores sinfonias só depois dos 60 e quantos médicos aos 65 anos salvaram pacientes pelo simples tocante da experiência. Quem dera bailarinos fossem ficando melhores ao sabor do tempo. Às vezes esqueço de viver tudo que existe de mais gratificante em dançar agora porque esqueço que um dia, mais cedo ou mais tarde e nem tão tarde chegue o timming de pendurar as sapatilhas. Não negaríamos nunca as lembranças, conselhos e até cada um dos tapas de grandes mestres, por mais que aposentados. Como imaginar o fim de um dia livre da exaustão física, sem o sentimento de alívio, de vazio e de cumprimento de uma missão? Bailarino durante um dia... missão o suficiente, garanto. Falando em mestres, conselhos e etc, nunca esqueço um deles que, por sinal, foi o que me trouxe aqui hoje: "O caminho que você percorre é do tamanho do seu sonho". Sonhar é maravilhoso, viver um dia de cada vez ao percorrer esse caminho é melhor ainda, por isso agradecer é o suficiente, por viver mais um dia de uma arte que me constitui, constrói.
Trago impresso na alma esse amor, que é único e máximo, por mais que certas coisas se percam no tempo.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Jan Saudek
Outro dia estava catitando pelas minhas comunidades e lembrei de algo que ainda não tinha trazido pra cá. Através de emails e mais emails com um amigo e ex professor queridíssimo, Michel Pinho, mais um super nome da fotografia paraense também, pude conhecer o trabalho de um dos caras menos convencionados da fotografia tcheca e queria deixar aqui pra que mais pessoas possam conhecer seu trabalho.
Uma breve biografia de Jan Saudek é dizer que nasceu em Praga em 1935 e comecou a trabalhar com pintura, desenho e fotografia por volta de 15 anos depois mais ou menos, fotografando conhecidos e familiares nas mais inusitadas situações, além de trabalhar com momentos inspirados em filmes de Georges Méliès, um ilusionista francês e precursor do cinema em seu país que usava muito de inventos fotográficos na criação de seus cenários e mundos fantásticos, o filme de Méliès que mais ficou conhecido foi Le Voyage la Lune, no qual usou dupla exposição do filme pra obter efeitos visuais e especiais super inovadores pra época de 1902.
Bom era isso! Vou deixar o portfólio, hoje Saudek mostra a mentalidade inovadora, chocante, às vezes agoniante, confesso, e exótica de um artista de 74 anos vividos sob uma mentalidade mais do que expandida e 59 anos fotografados.
Na imagem, trouxe uma das mais polêmicas, A Nova Pietá, na concepção do artista e pra quem a aceite. Bastante distante da escultura de Michelangelo e da visão quadrada, sentimental literal. Saudek traz essa proposta de imponência à Virgem Maria, seja na expressão, na posição, na fortaleza que expressa, na ausência das roupas e no que mais possam notar, essa é apenas uma das que vale a pena conferir.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
domingo, 29 de março de 2009
Noutro tempo falava em estalo, o estalo que já não me vinha entre os dedos rápidos, frios e trêmulos dos quais escorrem palavras anteriores as do pensamento. Essa relação fria, exclusivamente prolixa, me causa uma certa saudade: o fato de entrar aqui sem nem saber o porquê de estar entrando e terminar a postagem sabendo menos ainda, mesmo depois de ter discutido algo que com certeza é meio parte da matéria que em mim existe, que me cabe, de que sou feita.
Ah o simples fato de deixar acontecer... escrever é deixar fluir, que nem o amor por exemplo, são ápices contínuos de sentimentos que te invadem pouco a pouco e que tem necessidade de se externar, mas é claro que tem uma minúscula diferença entre eles, nunca podes te magoar escrevendo, nunca podes ser ferida enquanto palavra a palavra saem do teu corpo e talvez por isso seja muitas vezes um abrigo refugiado na alma daqueles fracos demais pra manter certas coisas presas consigo. Particularmente, escrever é como gritar muito alto sem precisar ensurdecer-se, parece que sai de todas as partes algo corroível meio a alguma estranheza, quando existente. Por isso agora ficam aqui esses rios como obra de um tom bem alto de saudade, de dúvida e de vão, do que é feito não importa, mas ficam como obra de um estalido de domingo em casa.
Ah o simples fato de deixar acontecer... escrever é deixar fluir, que nem o amor por exemplo, são ápices contínuos de sentimentos que te invadem pouco a pouco e que tem necessidade de se externar, mas é claro que tem uma minúscula diferença entre eles, nunca podes te magoar escrevendo, nunca podes ser ferida enquanto palavra a palavra saem do teu corpo e talvez por isso seja muitas vezes um abrigo refugiado na alma daqueles fracos demais pra manter certas coisas presas consigo. Particularmente, escrever é como gritar muito alto sem precisar ensurdecer-se, parece que sai de todas as partes algo corroível meio a alguma estranheza, quando existente. Por isso agora ficam aqui esses rios como obra de um tom bem alto de saudade, de dúvida e de vão, do que é feito não importa, mas ficam como obra de um estalido de domingo em casa.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Antes possuísse a mesma importância hoje, que terá amanhã.
Wall E é o nono longa-metragem da Pixar dirigido por Andrew Stanton e o primeiro que explode a questão ambiental vizualizando o futuro.
Protagonizando, Wall E (Elevador de Detritos-Classe Terra), faz o trabalho que desestruturou outros como ele há 700 anos, seu trabalho de limpeza tornaria o planeta sustentável novamente à vida. Uma simples peça expositiva da fotossíntese seria o suficiente para trazer de volta a colonização humana à terra que permaneceu centenas de anos em uma nave, Axiom, pairando no espaço.
Esta é uma produção do cinema americano digna de ser vista, como poucos longas cristalizados pelo tempo. A visão de Stanton pôde nos fazer sentir a fraqueza óssea e o excesso de adiposidade em que o modo de produção global nos insere, o mundo dos excessos. Se descobríssemos uma planta ou mesmo Spot, a barata e estivessemos a quilômetros daqui, seria banal?
Infinitas entrelinhas estão marcadas nas emoções que Adam preferiu e conseguiu muito bem aglomerar em apenas dois olhos, diga-se de passagem, cativantes.
É como se cada um flutuasse em sua Axiom particular hoje, não precisa ser expressionismo alemão ou o clássico dos clássicos pra mostrar, se for digno pode ser voltado mesmo ao público infantil, porque infantis mesmo são aqueles que governam o mundo.
"E se a humanidade fosse embora e esquecesse de desligar o último robô?"
Ah! Para nós, verde e amarelos, deixamos uma marquinha na trilha sonora, logo no trailer com Aquarela do Brasil de ninguém menos que Ary Barroso, maravilha.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Oswaldo Montenegro
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que tristeza.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
sábado, 29 de novembro de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)