sexta-feira, 4 de junho de 2010

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
 

Eu possa me dizer do amor que tive:
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

VM
Quem entende meus traços, que não os veja.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Y Generation

Não sou a favor da constante 'americanização' dos termos, mas em se tratando de Geração Y, o tema pede. Antes de qualquer coisa, preciso explicar que a Geração Y nasce entre 78 e 90 com o advento da internet, e, de maneira cafona, são nomeados de "os filhos do milênio". Quanto a 'americanização', bom... é evidente que esses termos refletem uma realidade norte americana ao considerar a Geração Y como prole da Geração X - nascida pós-segunda guerra mundial e após os baby booms, mais ou menos entre 45 e 55 - que na década de 60 e 70 procurou hastear bandeiras de revolução. Essa questão histórica é que puxa o conceito pro lado estadunidense.
Na verdade, a geração Y é constituída pelos jovens de 18, 19, 20 anos que estão e estarão compondo o mercado deste e dos próximos anos. A peculiaridade destes jovens é que possuem um valor moral mais sólido e uma consciência ambiental formada. Porém, os 'ipsilons' são extremamente silenciosos. Sua revolução não virá de bandeiras, de cavalos brancos ou de espadas. Virá do que eu chamei de 'síndrome do umbiguismo'. Egoístas e preocupados com a autorrealização, esses jovens procuram chegar o mais alto possível em suas respectivas carreiras. O melhor é que esse novo egoísmo não virá de uma forma prejudicial.
Libertários, distraídos, acomodados, afobados. São só alguns adjetivos dos novos revolucionários perante a sociedade. Os carcerários do meio informacional - eu mesma tenho minhas próprias cafonisses - são acostumados a vivenciar o tempo digital. O tempo célere que permite o acontecimento de 30 coisas simultaneamente e mais, o culto a ideia de que essas 30 coisas merecem a ótica da humanidade. Acostumados com com a celeridade, os 'ipsilons', ao adentrar o mercado de trabalho, farão questão que tudo aconteça depressa: promoções de cargo, bons salários, etc. Segundo Mirian Korn, "quem convive com ferramentas virtuais desenvolve um sistema cognitivo diferente", logo, age de maneira diferente. Sempre focando na ascensão e priorizando a realização de inúmeras tarefas.
Particularmente, seria bom se esse revolucionarismo fosse uma concepção majoritária, generalizada. Talvez, assim a geração tivesse mais força, apesar do subjetivismo da qual ela depende. Isso também não é um ponto lá muito bom. Cada ser humano é de um jeito, possui uma concepção, uma maneira de agir, possui uma força particular na perseguição de seus objetivos. Logo, qual a certeza dessa revolução silenciosa? Qual a certeza de seu sucesso? Ela não pode ter um cunho de 'revolução individualista' mais forte do que algo capaz de abalar, de fato, uma sociedade inteira?
Pra finalizar, eu gostaria de destacar que a maioria dos leitores desse post, com certeza, estão incluídos na Geração Y - na prática ou na teoria, apenas -. Se é o seu caso, não se acanhe por ser um revolucionário silencioso, orgulhe-se sem esquecer dos valores morais anteriormente destacados e da consciência ambiental da nova era. Um abraço aos multitarefas que cultuam a celeridade dos resultados e a constância dos desafios.

(Gente, o marcador do post é 'sob medida' pois foi um pedido realizado no meu formspring. Se houver mais pedidos irei incluí-los com esta marcação.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

524 receitas em 365 dias. Lugar de mulher é na cozinha.

Hoje assisti ao filme Julia and Julie, a partir do qual Meryl Streep recebeu, merecidamente, mais uma indicação ao oscar. Segundo às críticas, a atriz foi a perfeita intérprete de Julia Child. Uma mulher fantástica que adentrou à cozinha por pura falta do que fazer, buscando ocupar o tempo livre e consagrou-se um grande nome da gastronomia. Teve o privilégio de ter um livro seu publicado em inglês sobre a culinária francesa. Julia motivou-se pela súbita viagem à França sem muito saber sobre o idioma e pela sua paixão por 'comer' - como ela mesmo dizia ao marido - para posteriormente revelar-se habilidosa à frente do fogão e a primeira mulher a escrever sobre a culinária francesa para o público americano.
Depois de todo esse falatório acerca do filme, eu revelo a vocês a pitada feminista como real intenção desse post. Se a mulher tanto lutou/luta pelo seu espaço e liderou/lidera economias, cargos governamentais,  revoltas, manifestações, motins e etc, de que adianta manda-las pra cozinha? É claro que elas iriam revolucionar por lá.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

De volta às letras

A primeira coisa que gostaria de trazer pra cá é a minha opinião sobre o Tumblr. Recentemente fiz o meu, hoje, na verdade. Gostei, é prático. Traz aquela ideia de brevidade que o blog não traz, mas nem por isso abandono isso aqui. A página vai continuar viva como sempre. Ok, confesso que esse 'como sempre' está um pouco sem credibilidade, mas mesmo sem postar com frequência eu entro aqui todos os dias, logo é 'como sempre', sim. Em segundo lugar... Agora, retomando as atividades naturais do ano, vou 'reaprender a escrever' e trazer os temas que separei há milênios pra cá. É 'reaprender' mesmo, esse negócio todo é uma questão de muita prática. De qualquer forma, é bom estar de volta.

http://hchermont.tumblr.com

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Chama Verequete...

Chama Verequete. Louvado seja o Mestre do Carimbó que faleceu ontem, vítima de infecção generalizada posterior à grave pneumonia e insuficiência respiratória. O homem que sedimentou o carimbó como Cultura Paraense ao lado de homens como Cupijó e Chico Braga e que, principalmente, acreditou na imortalidade do estilo musical.
Verequete não mais está aqui para ver com os próprios olhos o Carimbó como Patrimônio Cultural  - conforme dizem: é preciso que a situação se agrave para que alguma coisa mude pra melhor -, mas a cidade ainda pode louvar o Mestre no Theatro da Paz neste último dia.

Sobre suas palavras, então, é com grande pesar que comento este adeus, pois se existem furos ou exageros na história regional, este é, sem dúvida, um imenso. Mais uma vez vai um mestre e fica a obra.
"O carimbó nunca morre. Quem canta o carimbó sou eu".

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vende-se Personalidade Virtual

Nota aos leitores: Gostaria de alegar meu desejo de assiduidade, mas pra ser sincera não to conseguindo ser assídua a nada nesses últimos tempos. Eu bem que entro aqui todos os dias, mas só escrevo quando as palavras saem - assim como agora: uma a uma.
Um vulcão de ideias, confesso, mas pouca facilidade ultimamente, pouca clareza. Sabe, eu nunca seria escritora com datas fixas de lançamento, meu compromisso é com a inspiração.

Depois dessa mínima nota ou justificativa - como queiram - me ocorreu o tema proposto no título, quase que auto-explicativo e bastante recorrente. Digam se vocês nunca pensaram 'x' de uma pessoa na internet e depois descobriram que ela é 'y', 'z', 'w', o alfabeto inteiro... exceto... 'x'!
É eu tenho dessas observações para com as pessoas e, confessem, é impossível não ter! Já li coisas fenomenais de pessoas vazias e já li coisas completamente vazias de pessoas fenomenais.

Essa febre por revolucionarismo iconográfico é outra coisa que, por exemplo, não passa do discurso. Já vi um quadrilhão de fotos em tributo e veneração de artistas cults de quem a pessoa ouve no máximo o gratest hit ou nem se quer ouviu falar. E pior, já cansei de ver e rever utilização e livre apropriação de fotos de outrem por mera necessidade de exposição daquele padrão de beleza, de estilo, de estética como se autenticamente seu fosse.

A Personalidade Virtual tem se mostrado um tanto quanto comercial e, diga-se de passagem, está a preço de banana no mercado. Eu mesma estou vendendo a minha. Sim, aqui e agora. Espero que análoga à personalidade de fato, sempre. Digo, creia essencialmente. Tomar como parâmetro artigos, blogs, twitter, orkut e afins é uma bela de uma furada.


Escrever no Século XXI está muito fácil. A começar pelo Blogger e a terminar pelo Google. Aproveite o meio técnico-científico-informacional. Le Chanois e Rodin estão a um clique de você.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Íntimo

     Ardo nessa sensação de agora: de frio entre os dedos dos pés - frio por saudade -, de palavras elétricas pousando sorrateiras (sem ruídos fazer). Devaneios suspendem-me, corrompem-me. Noite adentro lavam-me os conceitos. Liberdade poética, hermética, liberdade, amor. Até que por trás de letras protejo-me no casulo daqui. Aquele que deixaste pra que eu dormisse em paz, para que no clarão dos sóis do amanhã eu arda de novo borboleta, como fogo, e para que sejas motivo das covinhas, logo de manhã, e de todos meus pés-de-galinha no fim da tarde.