quinta-feira, 12 de maio de 2011
Seja boa, não boazinha.
A diferença entre vencer e passar por cima é que vencendo você demora mais. Reagir bem ao ouvir instigações virou uma prática corriqueira. A verdade é que chegou a hora de chutar o pau da barraca, se é que eu posso dizer assim. Tem sempre algo me dizendo pra não ser boazinha o suficiente e isso fica se repetindo na minha cabeça dia após dia. É como se eu demorasse a conseguir olhar com desprezo. Hoje me sinto diferente.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Ontem cheguei de viagem e fui correndo pra emergência da Unimed. Passei três horas de vôo respirando pela boca, com 37,7 de febre, exatamente, os ouvidos e a cabeça explodindo. Quando entrei pela porta de trás e a única coisa que eu tinha era uma garganta extremamente irritada, mal consegui falar com a médica de tanta tosse e por isso minha mãe explicou mais ou menos o que estava ocorrendo. Fiquei minutos bêbada de dor de cabeça na sala em observação, fiz aerosol, tomei antiinflamatório e analgésico e segundos depois estava bem. Em questão de quatro horas eu já estava abrindo mais os olhos e respirando melhor. Me lamentei um pouco da vida pra mamãe, contei as novidades do Rio. Respondi uns dois emails pendentes. Até que me dirigi a lanchonete pra tomar um suco, quando notei uma moça nova, sentada que parecia estar sentindo muita dor nos quadris e chorava copiosamente, segura pela mãe.
Quando eu passei bem ao seu lado ela levantou os olhos e disse entre um soluço e outro agarrando o braço da cadeira: Estou perdendo meu filho.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
RIO HARP FESTIVAL
Eu sei que as notícias estão girando em torno do Osama, mas eu vou destacar a que mais me deixou feliz hoje. O Rio de Janeiro vai contar com 60 concertos de harpa do dia primeiro até o dia trinta e um de maio. E é claro que isso inclui estações de metrô, Jóquei Clube, algumas igrejas, Corcovado e por aí vai. Saí do teatro ontem querendo mais e acordei com a notícia de que posso esbarrar na cultura erudita NA RUA. Sensacional (!!!) Espero que meu Instagram registre isso em algum momento do dia.
Pleonasmo
Às vezes durmo como se você estivesse a noite inteira pesando no colchão logo ao meu lado. Quando acordo, você não está. Eu olho no relógio pra saber 'quantas horas faltam até a primeira aula do dia', mas na verdade conto quantas horas faltam pra essa sensação nefasta ir embora. Hoje foi uma manhã como essa. e dói bem fundo no meu peito tudo o que eu não consigo mais derramar. O pior é quando faltam horas demais até que o dia termine.
Hoje resolvi parar, assim mesmo, como se tivesse um botão. Acompanhei o sol nascendo centímetro após centímetro, desejei que estivessemos na areia naquele momento, desejei meu sorriso (em você, eu digo, aquele..) logo embaixo de mim entre nosso abraço de encostar o corpo inteiro, de pesar uma na outra como naquelas tardes em que você almoçava e logo ia se encolhendo na cama e acabava bem no meu pescoço até dormir. Posso sentir você respirando. A verdade é que eu sinto demais a sua falta a ponto de dar vontade de pegar o primeiro avião.
Depois que chego em casa, comparo o dia seguinte do "primeiro avião" com os últimos dias em que passei "com você" até antes de colocarmos um ponto nisso e lembro... você simplesmente não estava. Eu estava e você não, exatamente aí doeu o triplo do que já dói dessa distância. Logo fecho os sites de companhias aéreas, cancelo as reservas antigas, abro as janelas do quarto, desligo as luzes e saio pro supermercado como se a manhã já não tivesse sido longa o suficiente.
domingo, 1 de maio de 2011
A verdade é que empurrei até a metade, mas aquela cadeira que você colocou pra eu não entrar continuou ali até dar de encontro com a parede. E mesmo que eu chutasse do lado daqui, a cadeira não se movia e você de lá de dentro continuou olhando até que não fosse mais um desafio me ver tentando arrombar do lado de fora. Algumas horas tentou arredar a cadeira, não conseguiu, machucou o dedo e assim ficou.
Depois sentou, ficou assistindo minha determinação ir se esgotando pancada após pancada, até que começou a empurrar de lá de dentro. Pra que colocar o pé na porta em sentido contrário? Empilhar vários objetos sobre a cadeira pra ficar mais pesado e até deixar um ou outro cair na minha cabeça? E aí, tranquilamente, eu apanhei umas frutas, armei um toldo, deitei no degrau, vi as estrelas, elogiei a lua, fiquei uma noite sim outra não-sim dolorida e a porta foi se fechando enquanto nós já tinhamos mais ou menos duas cobertas, dois sofás.
Só que ainda estávamos ali, separadas por aquela porta que você não conseguiu puxar porque se bateu e que não consegui empurrar, nem com toda a força. Vezenquando você grita alguma coisa lá de dentro e eu respondo, quando não... eu peço uma almofada, você dá. Até que entre as nossas casas (e veja bem... não é mais nossa-singular) se construam ruas, céus, apartamentos, luzes....
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