terça-feira, 14 de julho de 2009

O Êxtase de Santa Teresa


Gian Lorenzo Bernini foi o autor de uma das esculturas mais calorosamente e discretamente discutidas pelo Vaticano. Sem muito o que afirmar e entre a ficção e a realidade o que posso dizer sobre Santa Teresa de Ávila é que esta teve o prazer, talvez literal, de apaixonar-se em uma experiência mística por um anjo Serafim.
Já conhecia a escultura de outras datas e logo após o post sobre Saudek e a "Nova Pietá" quis trazer esta curiosidade pra cá, o tempo foi e acabei esquecendo, mas por sorte ninguém menos competente que Dan Brown (hahahaha) me lembrou da dubialidade da obra! Foi em seu livro Anjos e Demônios que curiosamente e maravilhosamente a escultura foi o arremate perfeito a uma parte da história e, é sempre sináptico deparar-se com um conhecimento prévio nessas horas! Voltando...
Afastada do Vaticano por seu cunho além de espiritual, sexual, o Êxtase de Santa Teresa permanece em Roma. Quis dizer a escultura.. já que o êxtase ninguém mais pode afirmar!
A partir da autoria da obra, muitas histórias, lendas e estórias perpassam pela mente de fanáticos religiosos até historiadores, conhecedores, amadores, etc. Nada pode ser dito real ou material, por completo. Nem mesmo é factual, a descrição da relação de Santa Teresa em seu diário íntimo, visto que até a própria veracidade deste objeto é questionável.
Ok, chega de piadinhas e interrogações religiosas. O Post não saiu como eu queria, to morta de pressa... mas tinha que trazer logo pra cá, tava ansiosa! Pronto!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Rosebud

O verbo saiu com os amigos pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras o verbo afagou sua mágoa, e dormiu.
O verbo gastou saliva, de tanto falar pro nada.
A verba era fria e calada, mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio e depois quando a verba chegou,
era tarde demais o cáderver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ver só, verso.

Deixe que se faça dia sobre aquela escuridão em que caímos, que se faça sombra no excesso de queimaduras do sol. Deixe que eu me entregue sem meios tropeços, meios arranhões enquanto me amas sem meias verdades, meias palavras, meio coração. Deixe que eu ame, enquanto durar, sem deixar que eu me perca no abismo que encontro e desencontro em você, no ritmo que ouço e que não ouço em seu peito, deixe que eu me encontre depois de um passageiro não saber. Quis nunca te deixar, nunca te perder. Passageiro. Não. Saber.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Saber Viver

Não sei... Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar.






Confesso que as coisas estão desorganizadas demais pra postagens autorais agora, mas logo elas chegarão, prometo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

senti mental

O quanto eu te falei que isso vai mudar, motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você não vai me livrar de viver.

sábado, 13 de junho de 2009

paliativa? medicina definitiva pra todos os gostos.

Nada melhor do que começar essa sobreposição de ideias com um dos pensamentos mais claros de um ex-Beatle nada conhecido, imagina.. ninguém menos que Paul McCartney disse que a música é capaz de curar. Numa dessas noites me deparei com a citação usada por ele pra expressar essa capacidade da arte enquanto música, não lembro na íntegra agora, por isso trouxe apenas a ideia. Mas a indagação mesmo é ''Qual a utilidade da arte?''.
Por várias vezes me deparei com essa pergunta na esfera da arte com a qual era envolvida, então... nunca respondi. Hoje, um pouco distante, me proponho. Digo que a arte não tem utilidade. Não aquela prática ou imediatista, como uma planta de engenharia, por exemplo. Simplesmente não tem. O fim da arte é em si mesmo e o preconceito contra o artista parte justamente daí, da dificuldade de encontrar a resposta sobre uma utilidade própria. Por muitas vezes foi complicado dizer que a arte não é útil no sentido pragmático, mas dizer que não é útil, não é o mesmo que dizer que não possui função. Sim, a arte possui função. Esta é transcendente, ao passo que uma mancha de tinta ou um gesto no palco simbolizam estados da consciência humana.
A arte tem, muitas vezes, fins terapêuticos, apesar de não só trazer a conexão da mente humana com o mundo artístico quando esta sofre com a perda de alguma habilidade, também é uma forma de coligar as sinapses neurais com o movimento envolvido pela estética, com os estímulos externos no que diz respeito a interação e/ou público e a capacidade de criação. Além de ser uma bela de uma válvula de escape.
Através de outra ótica, a arte traz indícios sobre a vida. Traz marcada consigo a história, cultura e costumes de seus respectivos povos, estejam estes vivos ou extintos. A História hoje não reconheceria metade das civilizações antigas materialmente comprovadas se não fosse pela arte que eternizaram.
A arte permite a relativização do olhar humano, o entendimento 'das sociedades' através de suas manifestações. Criticando ou reafirmando valores, como por exemplo através da arte moderna de 22, ou mesmo da arte urbana contemporânea grafitada e apagada dos muros.
Presente na educação juvenil, nos desparates da escrita, do desenho, da escultura, do movimento, da tinta sobre os olhos dos homens. Presente nas cores, nas curas, nos sons. É complicado dizer que a arte não guarda utilidade, mas guarda, explicitamente e muito bem guardado, corações pulsantes, inteiramente doados e apaixonados.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

so no leve

Quero me perder, agora a noite, na prolixidade dos meus pensamentos. Tenho desse problema. Eles explodem simultaneamente aqui dentro e, no fim das contas, fragmento-os em uma ou duas palavras quando os três melhores motores da escrita são evidentes: insônia, tristeza e amor. Evidentes? Hum! Quando o universo ainda está sendo generoso comigo! Ah sim, ele e eu temos uma relação estreita de conspiração. Os astros me disseram que perdoo rápido demais, mas não esqueço nunca. Lembro de poucas coisas e isso não é virtuoso. E que é fácil se perder meio a ausência de palavras da minha calmaria, aos mistérios dela, disseram ao me rotular de Câncer. Além de tudo não se esqueceram de me contar que sou cheia de amor, a paixão que em poucas e aproveitáveis vezes entra em erupção, e que ele é tão profundo em mim que nem mesmo eu o encontrei! Para tocá-lo é preciso estar mesmo disposta a mergulhar e eu, agora, não sei. Não há nada que mais me irrite do que 'mal resolvimentos'. Favor não manter contato comigo quando este se fizer presente. Adoro pessoas egoístas! Acho incrível a tendência que tenho de me aproximar delas! Odeio pessoas disponíveis demais, devo ter somente uma ou duas na soleira da vida que carrego. Eu sou, acima de tudo, um ser sem significância e dos mais humanos, daqueles que acreditam fielmente que a democracia é o governo de vários! E que mentirinhas são perdoáveis. Que as teorias conspiratórias da Segunda Guerra Mundial murmuram entre as paredes com pouca convicção e ainda acho que duas pessoas possam mesmo se relacionar, dá pra acreditar?
'A comunicação é improvável', deve ter sido a frase mais célebre que ouvi no último semestre e a que mais faço questão de concretizar na seara da minha situação de convivência... digamos! Falo diante a todos sobre o que eu quero, o que eu sou, me mostro, transpareço o que posso e, mesmo assim ainda é tão difícil me compreender, estou consciente disso. "Falo bem diante de você, e você está longe de entender".
Sou paciente demais e às vezes intensa. Aliás, sou intensa demais e às vezes paciente. No fim das contas, todo paciente intenso.. ou intenso e paciente é resoluto e colérico, faz das tripas coração pra conseguir realizar o que quer. A palavra é certa e cortante: efemeridade. Paciência acaba assim como textos.